INVASÃO CHINESA QUE DEU ERRADO: As 6 marcas que chegaram no Brasil, fizeram barulho e sumiram do mapa para sempre

Lembra daquela época em que um SUV chinês custava menos que um popular nacional? Pois é: nos anos 2000, o Brasil foi palco de uma aventura automotiva ousada, barata e polêmica. Mas o final foi trágico – hoje, essas pioneiras não existem mais. Nem aqui, nem na China.



Você já viu um Mini Cooper, mas com cara de pokémon e preço de Fiat Uno? Ou uma van que transportava famílias inteiras por menos de R$ 30 mil? Nos finais dos anos 2000, o Brasil foi invadido por uma onda de carros chineses baratos e de qualidade questionável. Importadores como Effa, Districar e CN Auto apostaram tudo: preços imbatíveis, equipamentos de série e promessas de mobilidade para todos. Por alguns anos tentaram, e não deu certo – milhares de unidades nas ruas, especialmente vans e picapes para trabalho, mas aí veio a realidade: qualidade duvidosa, peças inexistentes, segurança zero e a crise econômica. O sonho virou pesadelo. Hoje, essas seis marcas são fantasmas – extintas no mundo inteiro.


Lifan: A chinesa que prometeu muito e abandonou todo mundo



A Lifan chegou ao Brasil em 2009, importada pela Effa Motors causando furor: lançou o hatch 320 que era uma cópia inspirada no Mini Cooper – e todo mundo comentava, juntamente com o sedan médio 620, inspirado no Toyota Corolla. Na sua segunda fase, iniciada em 2012, já sob operações próprias, veio seu principal produto no Brasil, o SUV compacto X60, claramente inspirado no Toyota RAV4, virou hit, sendo o carro chinês mais vendido no Brasil por anos. Lançou na sequência o sedan compacto 530, inspirado no Toyota Yaris Sedan, que não conquistou, a picape comercial Foison e o SUV Médio X80, o único com personalidade própria da marca. A Lifan até mesmo montou os modelos comercializados em sua unidade produtiva do Uruguai e sonhava com uma fábrica brasileira, mas a marca entrou em uma crise profunda, a qualidade dos veículos caíram, as peças sumiram e a revenda virou missão impossível.

Fim da linha: Falência declarada no mundo todo em 2020, com dívidas astronômicas. A marca original Lifan morreu; parte virou Livan, da Geely.


Hafei: A marca das vans que assombraram as ruas



A Towner, importada pela CN Auto, era onipresente: passageiro ou cargo, virou o carro de trabalho de milhares de brasileiros. Custava ridiculamente barato e levava tudo – de famílias a cargas. A Effa também importava aos montes os mesmos modelos, só que batizados de Start, e por um tempo, parecia que seriam imbatíveis no segmento de comerciais leves. Todavia, a baixa durabilidade, a falta de peças e o pós-venda sofrível de ambas as importadoras acabaram por destroçar a reputação da marca Hafei no Brasil

Fim da linha: a marca Hafei foi comprada pela Changan em 2009, e foi apagada do mapa em 2015. Nada mais se produz com esse nome.


Landwind: seus SUVS chocaram o mundo com Crash Tests


O X6 já era polêmico por sua inspiração na BMW, mas o X7 foi o ápice: uma cópia quase perfeita do Range Rover Evoque, que acabou vetada no Brasil antes mesmo da estreia. Videos de crash tests europeus dos modelos viralizaram – zero estrelas, cabines destruídas. No Brasil, a fama de "perigoso" matou as vendas da marca antes mesmo de começaram, e a Landwind, então representada pela também extinta S.Auto, vendeu menos de meia centena de unidades do X8 durante sua curta existência no Brasil.
 
Fim da linha: A joint-venture com Jiangling e Changan foi encerrada após escândalos mundiais de segurança, e a marca Landwind foi descontinuada.


Changhe: do hatch baratinho e ordinário que virou o Effa M100 até o descolado que não vendeu



O hatch compacto Changhe Ideal, rebatizado como Effa M100 no Brasil, estreou no país em 2007, com a pecha de que seria o carro de entrada "perfeito": compacto, econômico e acessível... se não fossem os graves problemas de projeto e qualidade, onde uma unidade em testes no Longa Duração da famosa Revista Quatro Rodas foi retirada de circulação antes de completar os 60.000 km, e ensejou mudanças profundas do projeto na China, incluindo um facelift. A marca Changhe também teve minivans e picapes vendidas no Brasil pela Effa, mas nunca decolou de verdade – a falta de peças, a baixa durabilidade e suporte pós-venda sofrível afugentaram os compradores. A última tentativa com a marca foi com a S.AUTO, que homologou o Changhe Coolcar E+, que vendeu apenas 5 unidades em sua curta existência durante o ano de 2014.

Fim da linha: no mundo, a marca Changhe foi absorvida pela BAIC após fim da parceria com Suzuki, perdendocompletamente a identidade, e posteriormente foi descontinuada.

 
Chana: Utilitários que prometiam serem imbatíveis...



A extinta Districar trouxe a marca Chana ao Brasil, e ofereceu as vans Family e picapes Utility que custavam uma fração dos concorrentes. Parecia perfeito para quem precisava de carro de trabalho barato, mas na prática os veículos sofriam com a falta de tropicalização, corrosão das carrocerias, baixa potência e fragilidade nas peças. Com a falência da Districar, a marca chegou a ser absorvida pela matriz Changan, mas teve suas operações encerradas ao final de 2011.
 
Fim da linha: No mundo, a marca Chana foi extinta pela Changan, que passou a focar em veículos de maior qualidade.


Shuanghuan: se inspirava demais no design dos concorrentes, mas a qualidade...



O SUV CEO era surreal: frente de BMW X5, traseira de Honda CR-V. Processos judiciais na Europa, proibições de venda... No Brasil, chegou através da S-AUTO, como "opção diferente", trazendo o microcarro Noble Nano, mas o plágio gritante do Smart Fortwo, aliado ao preço elevado, e a baixa qualidade geral afundou qualquer expectativa, vendendo pouco mais de uma dúzia de unidades em sua curta passagem no mercado brasileiro.

Fim da linha: No mundo, a marca sumiu após batalhas legais e zero aceitação global.


Essas seis marcas viraram lenda urbana – e algumas delas ainda rodam algumas como ferramentas de trabalho no interior, mas peças? Só no milagre (ou ferro-velho). Enquanto isso, a nova invasão chinesa é outra história: GWM, CAOA Chery, Omoda Jaecoo, GAC, Leapmotor, Zeekr, Geely, BYD e mais de uma dezena de marcas dominam o mercado de elétricos e híbridos, com preços interessantes e melhor qualidade que outrora. Será que China aprendeu a lição?


Diz aí: Qual delas você teve ou viu na rua? Conta nos comentários! 

Matéria: IA

  
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