Pacientes com Ebola fogem de hospital após ataque de multidão na República Democrática do Congo

Um ataque de uma multidão enfurecida a um hospital no leste da República Democrática do Congo resultou na fuga de pacientes com Ebola e profissionais de saúde, destacando as dificuldades enfrentadas pelas autoridades de saúde no combate à doença

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REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere/Foto de arquivo
Um hospital no leste da República Democrática do Congo foi atacado por uma multidão enfurecida, levando à fuga de pacientes com Ebola e profissionais de saúde. O incidente ocorreu no Hospital Nyakunde, na província de Ituri, na quarta-feira, 15 de julho. Segundo François Berocan Uderos, biólogo médico do hospital, a multidão invadiu o local após a morte de uma mulher que havia ido ao hospital para dar à luz, mas desenvolveu anemia grave.

A mulher morreu por volta das 15h, e o ataque ao hospital começou logo em seguida. Vários dos cerca de 10 pacientes com Ebola que recebiam tratamento no local haviam fugido, e a equipe médica também deixou o hospital. O gerador que fornecia energia à unidade não está mais funcionando, o que agrava a situação.

O ataque ressalta as dificuldades que as autoridades de saúde enfrentam no combate ao Ebola no leste da República Democrática do Congo. A desconfiança em relação às equipes médicas, a resistência da comunidade e a insegurança têm repetidamente atrapalhado esforços de tratamento e contenção. O mais recente surto de Ebola, o 17º na República Democrática do Congo, já resultou em 2.073 casos confirmados e 796 mortes, segundo dados oficiais.

Houve vários ataques de multidões enfurecidas a unidades de saúde desde que o surto foi anunciado em maio, relembrando a violência que ocorreu durante um surto de 2018 a 2020 no leste do país africano, que matou mais de 25 profissionais de saúde. Os riscos à segurança têm alimentado protestos e ameaças de greve por parte dos profissionais de saúde, que afirmam que a remuneração que recebem não reflete a carga de trabalho e o estresse a que estão sujeitos.

O exército congolês informou em comunicado que abriu uma investigação sobre os distúrbios em Nyakunde. A situação no leste da República Democrática do Congo continua crítica, com a necessidade de esforços conjuntos para controlar a propagação do Ebola e garantir a segurança das equipes médicas e da população.
Marcadores: Saúde, Mundo, Violência

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