Após fechar mais de 300 lojas em 2026, Grupo Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial com dívidas que superam R$ 13 bilhões
Gigante do varejo nacional busca proteção contra credores após plano de reestruturação ser superado pela escalada de juros, queda de consumo em eletroeletrônicos e onda massiva de demissões.
O Grupo Casas Bahia protocolou formalmente perante a Vara de Falências e Recuperações Judiciais o seu pedido de Recuperação Judicial (RJ). O processo busca reestruturar um passivo global que ultrapassa a marca de R$ 13 bilhões, marcando um dos capítulos mais delicados da história recente do varejo de bens duráveis no país.
A medida drástica acontece no rastro de um plano agressivo de redução de despesas operacionais iniciado nos últimos anos, que culminou no fechamento de mais de 300 pontos de venda com as bandeiras PontoFrio e Casas Bahia em território nacional apenas em 2026 e na desmobilização de centros de distribuição estratégicos.
Em resumo: O processo de RJ suspende execuções de dívidas por 180 dias (stay period), permitindo que a companhia apresente um plano formal de pagamento a bancos, debenturistas, fornecedores de bens de consumo e prestadores de serviço.
Os fatores que levaram ao colapso financeiro
A crise da varejista não é fruto de um único evento, mas de uma conjunção de fatores macroeconômicos e desafios setoriais estruturais:
- Taxa básica de juros elevada por período prolongado: O encarecimento do crédito ao consumidor retraiu drasticamente as vendas parceladas no carnê e no cartão, pilar histórico do modelo de negócios da rede.
- Custo da dívida (serviço da dívida): As despesas financeiras para rolar títulos e debenturistas consumiram a maior parte do caixa operacional gerado pelas operações físicas e digitais.
- Concorrência acirrada no e-commerce: A disputa de margens contra plataformas internacionais (cross-border) e marketplaces consolidados comprimiu a rentabilidade em categorias cruciais, como informática, telefonia e linha branca.
- Inadimplência no crediário próprio: O aumento do endividamento das famílias das classes C e D elevou a taxa de perdas com crédito próprio.
Estrutura e perfil da dívida (Principais Credores)
O passivo estimado em R$ 13 bilhões está distribuído entre diferentes classes de credores, com destaque para debenturistas e grandes instituições financeiras:
| Classe de Credor | Exemplos / Segmentos | Volume Estimado | Natureza do Crédito |
|---|---|---|---|
| Bancos & Financiadores | Bradesco, Digio, BTG, Banco do Brasil, Itaú, Santander e outros | R$ 5,8 bilhões | Quirografários / Empréstimos corporativos |
| Mercado de Capitais | Debenturistas e fundos de investimento | R$ 4,3 bilhões | Debêntures e CRIs |
| Grandes Fornecedores de Bens | Fabricantes de Linha Branca, TVs e Smartphones | R$ 2,2 bilhões | Fornecedores quirografários |
| Trabalhistas & Serviços | Ex-colaboradores, logística e tecnologia | R$ 700 milhões | Classe I (Trabalhista) e ME/EPP |
Impacto social: Fechamento de lojas e corte de empregos
O encerramento de mais de 300 filiais provocou um choque no mercado de trabalho formal, afetando não apenas capitais, mas principalmente cidades do interior onde as lojas figuravam como âncoras do comércio local. Foram mais de 2.000 colaboradores diretos desligados ao longo de 2026, sendo cerca 1.900 na recente onda de fechamentos que contemplou 298 lojas de uma só vez.
Estimativas preliminares indicam que o contingente de demissões diretas e indiretas ultrapassa 12 mil postos de trabalho ao longo do ano, somando equipes de vendas de loja, montagem de móveis, estoquistas, logística e áreas administrativas corporativas.
Próximos passos do processo
Após a aceitação do pedido pela Justiça, a companhia terá um prazo legal de 60 dias para apresentar o Plano de Recuperação Judicial detalhado, que deverá conter:
- Proposta de deságio sobre os valores totais devidos;
- Prazos de carência e novo cronograma de amortização;
- Potencial venda de ativos não essenciais (imóveis e marcas secundárias);
- Plano operacional de continuidade focado exclusivamente nas lojas de alta rentabilidade.
A companhia informou, em nota ao mercado, que as lojas remanescentes e os canais digitais continuarão operando normalmente durante a tramitação do processo, mas algumas unidades poderão ser reavaliadas e descontinuadas como parte do processo de reorganização operacional e financeira.
Matéria: Dimithri Vargas
Com informações de Inteligência Artificial


