Demora no diagnóstico de esclerose múltipla atinge 25% dos pacientes e agrava incapacidade

Pesquisa aponta que mais da metade dos pacientes recebe diagnóstico incorreto antes da confirmação da doença, que afeta 40 mil brasileiros.

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Pesquisa da HSR Health, em parceria com a Roche Farma e divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) nesta sexta-feira (28), revela que cerca de 25% dos pacientes levam mais de cinco anos para obter o diagnóstico definitivo. O estudo, que ouviu 368 pessoas, aponta que 56,8% dos entrevistados receberam diagnósticos incorretos antes da confirmação da esclerose múltipla, enquanto 14,1% aguardaram uma década ou mais.

O neurologista Rodrigo Kleinpaul, do Hospital das Clínicas da UFMG, alerta que a demora compromete a reserva funcional do paciente, acelerando a progressão da incapacidade definitiva. Segundo o especialista, o paciente passa, em média, por quatro médicos diferentes antes de identificar a enfermidade. As principais barreiras apontadas são a dificuldade de acesso a profissionais especializados (36%) e o alto custo de exames como a ressonância magnética (23%).

“Dez anos atrás, uma mulher jovem diagnosticada com 20 anos de idade, aos 40 anos já estaria em uma cadeira de rodas. Hoje, a gente consegue evitar que isso aconteça”, afirmou Kleinpaul.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune e crônica que atinge cerca de 40 mil brasileiros, com maior incidência em mulheres de 20 a 40 anos. Embora não tenha cura, o tratamento evoluiu significativamente, permitindo que 48% dos pacientes permaneçam estáveis ou em remissão. Contudo, 41,2% relatam dificuldades de acesso a medicamentos ou burocracia em planos de saúde, e 85,6% enfrentam gastos mensais extras relacionados à condição.

Marcadores: Esclerose Múltipla, Saúde, ABEM, Diagnóstico, Medicina

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