MJSP: Centro Nacional de Inteligência Penal inicia operações em agosto
Nova estrutura unifica inteligência prisional para combater crime organizado e entrada de celulares em presídios.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) confirmou que o Centro Nacional de Inteligência Penal (Cnip) iniciou suas operações em agosto de 2026. A nova estrutura operacional reúne órgãos de inteligência das polícias penais federal, dos estados e do Distrito Federal, com o objetivo de unificar protocolos de segurança e coibir o planejamento de crimes a partir do interior dos estabelecimentos prisionais brasileiros.
Instituído em junho de 2026 por meio da Portaria Ministerial 1.234, o Cnip integra o projeto Padrão Segurança Máxima, que faz parte do programa federal Brasil Contra o Crime Organizado. Responsável por integrar e coordenar a Rede Nacional de Inteligência Penitenciária (Renipen), o centro atuará em regime contínuo para consolidar e difundir informações de inteligência penal, monitorar situações de crise e oferecer suporte técnico para a tomada de decisões pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e pelos entes federativos.
A estratégia ministerial busca sufocar a comunicação entre integrantes de organizações criminosas. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, ressaltou que isso exige integração entre as forças federais e estaduais e uma ação coordenada para impedir a entrada ilegal de aparelhos de telefone celular nos presídios.
“O problema do [telefone] celular figura como uma das principais questões ligadas à percepção de segurança pública. Os aparelhos fazem parte de uma cadeia que diz respeito ao furto, ao roubo e à receptação. Em alguns casos, temos um ciclo completo, no qual o dispositivo chega, inclusive, às mãos do crime organizado nos presídios.”
Durante coletiva de imprensa, o ministério apresentou resultados preliminares de ações ostensivas. A Operação Última Chamada, realizada entre os dias 10 e 19 de agosto, recuperou 6.052 aparelhos celulares e executou 97 prisões em flagrante. Especificamente no sistema penitenciário, operações da Senappen entre maio e agosto de 2026, em parceria com os estados e o Distrito Federal, resultaram na apreensão de 2.254 aparelhos celulares após a revista de quase 9,9 mil celas de 295 unidades prisionais.
O ministério também informou que os roubos e furtos de celulares passaram de 225.644 no primeiro trimestre de 2025 para 215.589 no mesmo período de 2026, uma redução de 4,5%. O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, enfatizou que as ações no sistema prisional são fundamentais para interromper a cadeia de crimes envolvendo celulares, que “atinge o dia a dia do cidadão, na aplicação de golpes e outras questões relacionadas a execuções de crimes letais intencionais.”
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