Inteligência artificial substitui atores e gera demissões em massa na China

Softwares de baixo custo dominam o mercado de séries curtas e comércio eletrônico, reduzindo custos em até 90% e ameaçando milhares de empregos.

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Imagem: Reprodução - Jornal O Sul

A ascensão de ferramentas avançadas de inteligência artificial, como o modelo Seedance 2.0 da ByteDance, tem provocado uma reestruturação drástica no mercado de trabalho chinês. No primeiro trimestre de 2026, cerca de 128 mil séries curtas foram lançadas no país, sendo que 95% delas foram geradas por IA. O impacto é sentido diretamente por atores e influenciadores, que veem suas produções serem substituídas por versões digitais mais rápidas e baratas.

O custo de produção caiu drasticamente, atingindo uma média de 600 a 800 yuans (US$ 90 a US$ 120) por minuto, o que representa apenas 10% do valor gasto com elencos humanos. Segundo Shen Yang, diretor do laboratório de metaverso da Universidade de Tsinghua, um processo que exigia uma equipe de cinco pessoas e três meses de trabalho em 2024 é concluído hoje por um único funcionário em até dois dias.

“No primeiro trimestre de 2026, cerca de 128 mil séries curtas foram lançadas na China, mais de três vezes o número de todo o ano anterior, sendo que 95% delas foram geradas por inteligência artificial.”

As consequências econômicas afetam um setor que emprega 690 mil pessoas diretamente na indústria de séries curtas. No comércio eletrônico, apresentadores digitais já superam humanos em vendas; um sósia digital do streamer Luo Yonghao, por exemplo, gerou 55 milhões de yuans (US$ 7,7 milhões) em apenas sete horas. Relatos indicam que profissionais estão sendo coagidos a ceder suas imagens e vozes para treinar seus próprios substitutos digitais.

O cenário tem gerado um aumento nas disputas trabalhistas. O advogado Jiang Xiaotong, de Zhejiang, destaca que a demissão motivada pela substituição por IA tem sido utilizada como argumento em tribunais para pleitear indenizações maiores, com precedentes já favoráveis aos trabalhadores no polo tecnológico de Hangzhou.

Marcadores: China, Inteligência Artificial, ByteDance, Mercado de Trabalho, Tecnologia

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