Escândalo no Trabalho: Luiz Marinho retira entidade ligada ao PT de lista do trabalho escravo

Ministro do Trabalho utiliza instrumento jurídico para anular infrações contra associação baiana ligada a dirigente petista.

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Foto: Divulgação / Ministério do Trabalho
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, causou forte reação nos bastidores da pasta ao determinar a retirada da Associação Comunitária de Produção e Comercialização do Sisal (Apaeb) da chamada “lista suja” do trabalho escravo. A entidade, sediada em Valente, na Bahia, é presidida por Ismael Ferreira, ex-prefeito do município e atual presidente municipal do Partido dos Trabalhadores (PT). A decisão foi tomada por meio de uma avocação, instrumento que permitiu ao ministro assumir pessoalmente o controle do processo e anular as multas aplicadas após fiscalizações.

A Apaeb havia sido autuada em 2024 após auditores fiscais identificarem condições degradantes de trabalho em colheitas de sisal, apontando uma subordinação estrutural entre os trabalhadores e a associação. Com a intervenção direta de Marinho, as infrações foram canceladas e o caso foi encaminhado para a corregedoria do Ministério do Trabalho para investigar a conduta dos auditores. A medida foi recebida por servidores e membros da Secretaria de Inspeção do Trabalho como um sinal de possível assédio institucional e interferência política.

O ministro defende que as autuações continham falhas jurídicas que poderiam levar à nulidade nos tribunais, baseando-se em pareceres da própria pasta. No entanto, o uso recorrente da avocação para beneficiar empresas e entidades próximas ao governo tem gerado crises internas. Em protesto, centenas de auditores fiscais paralisaram atividades, alegando que a autonomia da fiscalização está sendo seriamente comprometida para proteger aliados políticos e evitar impactos econômicos negativos a grupos específicos.
Marcadores: Brasil, Política, Justiça, Trabalho Escravo, PT

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