Quadrilha que invadia e vendia terrenos irregulares é desmantelada pela Polícia Civil em Vila Velha

Operação policial prende cinco suspeitos, incluindo um policial militar da reserva, e apreende mais de R$ 29 mil em espécie, veículos e documentos

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Reprodução/Polícia Civil do ES
Uma operação realizada pela Polícia Civil em Vila Velha, na Grande Vitória, resultou na prisão de cinco suspeitos de integrarem uma organização criminosa responsável por invadir e vender ilegalmente terrenos no bairro Pontal das Garças. Segundo as investigações, os crimes aconteceram por anos e resultaram em uma movimentação financeira de mais de R$ 30 milhões.

Entre os presos está um policial militar da reserva, que era responsável por intimidar os donos originais dos terrenos que não aceitavam a perda da propriedade. O militar teria sido flagrado, inclusive de farda, efetuando disparos na região. Além disso, o delegado Gabriel Monteiro, chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), informou que o policial militar da reserva também foi responsável por colocar fogo em um barraquinho que tinha em um dos terrenos.

A quadrilha agia vendendo terrenos que já tinham donos para novos compradores, lesando tanto os proprietários originais quanto os segundos. A ocorrência do crime se intensificou durante a pandemia de coronavírus, quando os primeiros donos dos terrenos deixaram de frequentá-los. Os proprietários originais dos terrenos eram pessoas de baixa renda que, ao adquirirem as propriedades, não tinham dinheiro o suficiente para registrar as escrituras.

A organização criminosa, com a ajuda de uma cooperativa imobiliária, identificava os terrenos vazios, realizava a limpeza deles e os vendia novamente. Com isso, a quadrilha lucrou mais de R$ 30 milhões. Além disso, a Polícia Civil apreendeu seis veículos, documentos, celulares, R$ 29 mil em espécie e uma pistola 9 mm durante a operação.

Até o momento, 15 vítimas foram identificadas e relataram terem sido ameaçadas. O delegado Gabriel Monteiro informou que as investigações continuam e mais vítimas ainda podem buscar a Polícia Civil. Além disso, um pedreiro de 53 anos foi alvo de uma tentativa de homicídio no bairro após realizar uma denúncia contra o esquema de venda ilegal de terrenos na região.

A Polícia Civil não demonstrou nenhuma participação de servidores cartorários nos crimes. Além disso, os compradores são considerados vítimas, visto que agiam de boa-fé e sem conhecimento sobre a existência de proprietários anteriores dos terrenos. Com a conclusão do inquérito policial, os investigadores conseguiram demonstrar que as escrituras obtidas pelos compradores secundários são ideologicamente falsas.
Marcadores: Polícia, Violência, Justiça, Propriedade Imobiliária, Crimes contra o Patrimônio

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