Brasil é cobrado a efetivar meta de restaurar 163 mil km² de terras degradadas até 2030

Especialistas e organizações internacionais exigem resultados concretos e estrutura administrativa para cumprir compromisso firmado na COP17.

Após o encerramento da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbatar, na Mongólia, o governo brasileiro enfrenta pressão para transformar em ações práticas a meta de restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030. O compromisso integra as metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), pactuadas por mais de 130 países.

Especialistas apontam que o desafio exige uma abordagem integrada que combine conservação, recuperação de produtividade e inclusão social. Rafael Giovanelli, do Instituto Escolhas, defende medidas urgentes para viabilizar o plano:

“O Brasil precisa fortalecer a estrutura administrativa e orçamentária para tirar essa meta do papel. A proposta é a regulamentação da Lei de Recuperação da Vegetação da Caatinga e a criação de uma Secretaria Especial vinculada à Presidência da República.”

Para atingir a neutralidade, o país utiliza como base o ano de 2020, quando registrou 55,7 milhões de hectares com tendência à degradação. O plano total de metas LDN abrange 3,67 milhões de km², somando áreas de restauração e de conservação. Durante o evento, o Consórcio Nordeste formalizou um memorando com a UNCCD para ampliar a cooperação técnica e dar visibilidade aos projetos de recuperação no semiárido.

A especialista da WWF Global, Luiza Soares, reforçou que a execução deve priorizar populações dependentes dessas terras, especialmente em regiões onde a degradação impacta diretamente a segurança alimentar e hídrica. O monitoramento anual do cumprimento dessas metas é apontado por entidades como a Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa) como essencial para garantir a eficácia do compromisso brasileiro.

Marcadores: COP17, Meio Ambiente, Sustentabilidade, Caatinga, Governo Federal

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