Ibovespa recua para 206 mil pontos sob pressão dos juros futuros após rali eleitoral
Alta nas taxas dos DIs e realização de lucros pressionam ações cíclicas na B3, enquanto projeção para a Selic cai a 13,25%.
O mercado de ações brasileiro encerrou a sessão de quarta-feira (14) em leve baixa de 0,18%, aos 206.505 pontos, estendendo o movimento de ajuste após ter registrado a máxima histórica de 209.713 pontos na última sexta-feira (9). O recuo do Ibovespa e a forte oscilação de ativos ligados ao consumo e de small caps coincidiram com a alta das taxas de juros futuros. Na curva a termo, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2028 avançou de 12,696% para 12,735%, enquanto a taxa para janeiro de 2031 subiu de 12,473% para 12,540%.
A pressão foi sentida com intensidade pelas companhias cíclicas após a forte valorização observada logo após o primeiro turno das eleições. As ações do Magazine Luiza (MGLU3) caíram 7,04% na terça-feira (13) e outros 4,49% na quarta-feira (14), fechando cotadas a R$ 10,85, após terem disparado 24,18% no dia 5 de outubro. O movimento de realização de lucros também derrubou papéis como Vamos (VAMO3) (-11,22%), Yduqs (YDUQ3) (-8,45%) e Lojas Renner (LREN3) (-8,03%), revertendo parte dos expressivos ganhos acumulados na semana anterior pelo Índice Small Caps (SMLL), que havia subido 20,14% impulsionado por altas expressivas de Movida (+74,56%) e Simpar (+59,81%).
No campo macroeconômico, o relatório Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na terça-feira (13), mostrou nova redução na projeção para a taxa básica de juros, com a mediana para a Selic ao final de 2026 caindo para 13,25% ao ano — frente à taxa vigente de 13,75%, indicando a perspectiva de um corte de 0,50 ponto percentual até o fim de 2026. Por outro lado, a estimativa do mercado para a inflação medida pelo IPCA de 2026 subiu de 5,01% para 5,22%, gerando cautela fiscal e limitando o fechamento das curvas de juros.
“O mesmo ambiente que permite valorizações expressivas também amplia o potencial de perdas quando as expectativas para juros e política fiscal se deterioram.”
Apesar do ajuste recente, o mercado doméstico seguiu amparado por um influxo robusto de recursos externos. Dados oficiais da B3 registraram saldo positivo de R$ 13,15 bilhões em capital estrangeiro no período de 5 a 9 de outubro, sendo aproximadamente R$ 10 bilhões concentrados no pregão imediatamente posterior à eleição. Segundo Rafael Perretti, analista da Clear Investimentos, o aumento simultâneo de posições de investidores estrangeiros em opções de compra sugere apetite por continuidade de alta, condicionado, contudo, à disciplina das contas públicas e à dinâmica do índice de preços.
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