Lifan deixará mercado automotivo e Geely deve assumir operações no Brasil e no mundo

Grupo chinês teve falência decretada após declarar insolvência em agosto deste ano, devido a drástica redução de vendas.

O Lifan Group, conglomerado chinês que já foi o maior fabricante de motos e motores a combustão do mundo, e que já vendeu carros em mais de 130 países deve deixar o mercado automotivo mundial em 2021. 

Em um movimento na busca de geração de capital para liquidação de dívidas, o conglomerado chinês desenha um acordo sigiloso (mas nem tanto) com a Maijie Investiment, empresa do Grupo Geely, para a venda da Chongqing Lifan Passenger Vehicle Co., Ltd, sua única fábrica de automóveis, e a Chongqing Lifan Automobile Sales Co., LTD, responsável pelas vendas locais e exportações de veículos da marca. A marca Lifan não faz parte deste acordo, devendo ser encerrada, dada a baixa performance global que a Lifan tem atingido em todo mundo. 

Os problemas financeiros da Lifan se arrastam desde 2017, quando iniciou a venda de diversos ativos ao longo dos anos, buscando recuperar a rentabilidade, porém, mesmo diante de todos os esforços, neste ano de 2020, a Lifan Motors deve encerrar o ano com menos de 2.000 veículos vendidos na China, bem como menos de 10.000 veículos vendidos em todo mundo. O Lifan Group já não exporta veículos de sua unidade fabril na China desde agosto deste ano. Devido estas situações, o Lifan Group, através de seu acionista controlador, declarou insolvência em 6 de agosto deste ano, recorrendo a justiça. Com o fundamento de que os bens não eram suficientes para saldar todas as dívidas, eles solicitaram a recuperação judicial ao Quinto Tribunal Intermediário do Município de Chongqing, e o tribunal decidiu aceitá-la em 11 de agosto. Em 21 de agosto, o Tribunal de Falências de Chongqing anunciou sua decisão de declarar a falência de 22 empresas da Lifan, incluindo a Lifan Industry (Group) Co., Ltd., a Chongqing Lifan Passenger Vehicle Co., Ltd. e a Chongqing Lifan Automobile Sales Co., Ltd.

O Quinto Tribunal Popular Intermediário de Chongqing concluiu que as ações da Lifan não conseguiram pagar as dívidas devidas. Além disso, o capital monetário constatado em Setembro era de 43 milhões de yuans, enquanto o valor da dívida vencida era de 1,196 bilhões de yuans. Constatou-se que outros ativos do grupo são de baixa liquidez, sendo incapazes de serem vendidos em tempo hábil para o pagamento das dívidas, portanto, decidiu-se determinar que o grupo obviamente carece de solvência, de acordo com a lei.

Enquanto o conglomerado está em uma profunda crise, devido ao alto endividamento, os dados de produção e vendas das ações da Lifan não são favoráveis.

De acordo com o boletim de produção e vendas do mês de agosto deste ano, divulgado pela Lifan em 14 de setembro, foram produzidos apenas 38 veículos de passageiros (23 tradicionais e 15 elétricos), uma queda de aproximadamente 92% ante o mesmo periodo do ano anterior. Desta produção, apenas 15 veículos foram vendidos, uma redução de 92,39 % ante o mesmo mês de 2019. 

Isso também significa que as ações da Lifan estagnaram no setor automotivo. No ponto de vista do mercado, a Lifan não formou sua própria força de competitividade, especialmente após cisionar a sua indústria automobilística da indústria de motocicletas.

Em setembro, após a declaração de falência, a recuperação judicial se iniciou e abriram cadastramento para investidores interessados em adquirir as UPI'S da Lifan, momento em que o Grupo Geely, através da Maijie Investiment manifestou interesse nos ativos, e ao que tudo indicará, será o proprietário da divisão.

Com a reestruturação e venda fatiada das operações, é provável que o grupo Lifan desapareça, e a marca Lifan atenha-se as motocicletas e motores, segmentos que seguem ativos por meio de parcerias com outros fabricantes, como a Honlei e a Qipai Motors. 


Operação brasileira da Lifan

A Lifan possui operação própria no Brasil, todavia, a mesma vive em compasso de espera sobre o futuro do grupo. Sem importar carros desde 2019, a Lifan viu suas concessionárias fecharem, e as vendas caírem a níveis drásticos. A marca possui apenas poucas unidades do modelo X80 em algumas concessionárias e revendas. 

Se confirmada a aquisição da unidade automotiva pelo Grupo Geely, a operação brasileira será herdada na aquisição, uma vez que pertence a uma dessas UPI'S que a Lifan está negociando com a Geely, podendo então ser a porta de entrada para o retorno das operações da Geely no Brasil. 

Se houver a manutenção das operações no Brasil, a Geely deverá se tornar a responsável pelo pós-venda da Lifan no Brasil. 

Resta esperar.


Matéria: Dimithri Vargas
Com informações de YQQLM e Metal.com
Imagem: Divulgação Lifan
 

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