Pesquisa revela desigualdades na formalização do trabalho entre jovens brasileiros

Estudo da Fundação Itaú aponta que apenas 44% dos jovens empregados têm carteira assinada, com disparidades regionais, sociais e raciais.

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Imagem: Tomaz Silva - Agência Brasil

A formalização no mercado de trabalho entre jovens brasileiros de 16 a 29 anos é marcada por profundas desigualdades, conforme revelado pela pesquisa "Juventudes e o Mundo do Trabalho". O estudo, realizado pela Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva, foi divulgado nesta sexta-feira (21), em São Paulo. O levantamento, que ouviu 1.816 jovens de todo o país entre 11 e 23 de maio de 2026, detalha que, dos 70% que declararam estar trabalhando, apenas 44% possuem carteira assinada.

As disparidades são evidentes em diversos recortes. Jovens das classes A/B correspondem a 43% dos que trabalham em empregos formais, enquanto nas classes D/E esse percentual é de 35%. Por outro lado, 21% dos jovens das classes D/E trabalham sem registro, percentual que é de 13% nas classes A/B. A formalização é mais frequente entre os jovens do Sul (58%) e do Sudeste (55%), contrastando com as regiões Norte (29%) e Nordeste (20%). No aspecto racial, 49% dos jovens brancos têm emprego formal, contra 41% dos negros, sendo que 12% dos jovens negros dependem de bicos informais, em comparação com 5% dos brancos.

A pesquisa também aponta que a falta de experiência (49%) e a quantidade de pessoas disputando uma mesma vaga (39%) são as principais dificuldades para conseguir um emprego. Além disso, 96% dos jovens acreditam que conhecer alguém em uma empresa ou ser indicado por familiares/amigos ajuda a conseguir uma vaga, com 77% tendo obtido seu emprego atual por indicação. Em relação aos planos futuros, a preferência por um emprego com carteira assinada cai de 30% para 16% nos próximos cinco anos, enquanto o interesse por trabalho autônomo cresce de 28% para 42%. A gerente do Observatório da Fundação Itaú, Carla Chiamareli, avalia que essa mudança reflete um processo de amadurecimento.

“O jovem entende que tem que começar a vida profissional com estabilidade para adquirir experiência e, depois, ele pode escolher estar dentro de uma empresa ou não.”

O estudo ainda mostra que 91% dos jovens brasileiros confiam que sua situação financeira estará melhor daqui a cinco anos, e 62% aceitariam ganhar um pouco menos para trabalhar em um ambiente mais saudável, com menos pressão e estresse.

Marcadores: Mercado de Trabalho, Jovens, Formalização, Desigualdade Social, Pesquisa

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