Crise do metanol: falsificação de bebidas mantém mortes e sequelas um ano após onda de intoxicações
Investigações apontam rede clandestina de produção e distribuição; CPI propõe classificar adulteração de bebidas como crime hediondo.
Um ano após o início da crise de intoxicações por metanol em São Paulo, o esquema de falsificação de bebidas segue ativo e causando vítimas. Dados do Ministério da Saúde confirmam que, apenas em 2025, foram registrados 73 casos de intoxicação vinculados a bebidas adulteradas, resultando em 25 óbitos. Em 2026, até meados de agosto, o cenário permanece crítico com 17 casos confirmados, 23 em investigação e sete mortes adicionais registradas por secretarias estaduais de Saúde.
As investigações policiais, que agora analisam seis inquéritos de forma conjunta, identificaram uma rede que envolve a reutilização de garrafas descartadas e a produção clandestina em ambientes domésticos. Entre os principais alvos estão Gilmar Silva, apontado como fornecedor, e Pedro Lagar, responsável pela logística de embalagens. A delegada Isa Lea aponta que o esquema contava com a participação de parentes e pessoas próximas aos suspeitos. Até o momento, a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) destaca que, embora o volume de operações policiais tenha crescido quatro vezes, apenas 16 pessoas permanecem presas em um universo de 605 procedimentos registrados desde 2015.
Diante da persistência dos casos, a CPI do Metanol da Câmara Municipal de São Paulo concluiu que a adulteração não provém da indústria formal, mas de um mercado paralelo. O relatório final da comissão propõe que a prática seja tipificada como crime hediondo, estendendo a responsabilidade criminal a estabelecimentos que adquirem mercadorias sem nota fiscal. O vereador Adrilles Jorge defende que a punição deve atingir toda a cadeia de comercialização para coibir a entrada de produtos tóxicos no varejo.
“A adulteração de bebidas alcoólicas com agentes tóxicos deve ser tratada como crime hediondo, responsabilizando também lojas e distribuidores que compram sem comprovação de origem.”
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