PF aponta que Banco Master usou empresa de fachada para simular R$ 7,15 bilhões em consignados
Investigação revela que a Tirreno, sem estrutura operacional ou funcionários, foi utilizada para forjar carteiras de crédito revendidas ao BRB.
A Polícia Federal identificou que o Banco Master, sob gestão de Daniel Vorcaro, utilizou a empresa Tirreno Consultoria Promotora de Crédito para simular a origem de R$ 7,155 bilhões em empréstimos consignados. Segundo a perícia, a empresa, criada com capital social de apenas R$ 100, não possuía funcionários, sede operacional ou movimentação bancária efetiva, funcionando como um veículo para registrar contratos fictícios.
A investigação detalha que, entre dezembro de 2024 e maio de 2025, foram formalizados 28 contratos de cessão de crédito. O dinheiro das operações não era transferido, sendo registrado apenas internamente no sistema do Banco Master sob a rubrica de "venda de ativos". Posteriormente, essas carteiras eram revendidas ao Banco de Brasília (BRB). A perícia constatou que mais de 1 milhão de contratos foram lançados no sistema do Master com padrões anômalos, como repetições excessivas de valores e uso de CNPJs inexistentes na base da Receita Federal.
A estrutura da Tirreno, que chegou a ter um aumento de capital declarado para R$ 30 milhões sem comprovação de pagamento, era composta por documentos produzidos dentro da própria estrutura do Banco Master. Ferramentas de software foram desenvolvidas para manipular arquivos PDF e forjar assinaturas de clientes reais em novas Cédulas de Crédito Bancário (CCBs). Diante das evidências, o ministro Edson Fachin, do STF, determinou o prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça libere o sigilo dos documentos do caso.
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