Petrobras pode adiar reajuste de diesel apesar de alta do Brent e subsídios estendidos

Governo prorroga subsídios por 30 dias; analistas apontam necessidade de ajustes de até 60% no diesel e debate sobre extensão para 2027

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Imagem: Reprodução - InfoMoney

Na terça‑feira (22/10), o governo federal prorrogou por mais 30 dias os subsídios ao diesel, mantendo o incentivo de R$ 2,12 por litro para produtores e importadores e o adicional de R$ 1,40 por litro para importações até 6 de novembro. O relatório do Goldman Sachs, divulgado poucos dias antes das eleições, alertava que a Petrobras poderia precisar elevar o preço do diesel em até 50% após o pleito, diante da forte divergência com os preços internacionais. Com a extensão dos subsídios, o preço realizado da estatal ficou em R$ 5,43/L, cerca de 25% abaixo da paridade de importação estimada em R$ 7,30/L.

Analistas do Itaú BBA apontam que a recomposição dos preços pode ser adiada para 2027, exigindo reajustes de aproximadamente 18% na gasolina e 60% no diesel para eliminar a defasagem acumulada em 2026. O aumento de 6% do Brent e a desvalorização de cerca de 6% do real na última semana ampliaram a diferença, que agora coloca o diesel da Petrobras cerca de 20% abaixo da paridade internacional e a gasolina em torno de 10% abaixo. Segundo a XP, o governo gasta cerca de R$ 9 bilhões por mês com os subsídios, valor que poderia ser compensado por arrecadação extra se o Brent permanecer acima de US$ 105/barril.

O Itaú BBA simulou dois cenários: um ajuste único de cerca de 25% no início de novembro, que eliminaria a defasagem até o fim de janeiro de 2027; e um ajuste inicial de 13% seguido de revisões graduais, com convergência prevista apenas para o final de março de 2027. A decisão dependerá da velocidade com que a Petrobras iniciar o processo de reajuste, da possibilidade de ampliação dos subsídios pelo governo e da eventual flexibilização da regra que exige o fechamento da defasagem dentro do ano‑calendário.

“Como os preços dos combustíveis e das matérias‑primas permanecem elevados, principalmente devido às tensões geopolíticas, enquanto a Petrobras continua vendendo gasolina e diesel abaixo da paridade de exportação no Brasil, acreditamos que a pressão por um reajuste de preços tende a aumentar. Com base em nossas estimativas, a Petrobras está atualmente vendendo gasolina e diesel (incluindo subsídios) com descontos de aproximadamente 22% e 11% em relação ao Preço de Paridade de Exportação (EPP), respectivamente”.

Especialistas alertam que um aumento abrupto poderia elevar a inflação e pressionar a política monetária, enquanto um ajuste gradual poderia preservar a competitividade da estatal e evitar perda de participação de mercado.

Marcadores: Mundo, Economia, Finanças, Petrobras, Diesel, Preços

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