TCM aponta fraude e sobrepreço em R$ 101 milhões pagos pela Prefeitura de SP à MM Quarter
Auditoria do Tribunal de Contas identifica favorecimento e vínculos de ex-secretário de Ricardo Nunes com a empresa investigada.
Uma auditoria técnica do Tribunal de Contas do Município (TCM) de São Paulo revelou graves indícios de fraude, favorecimento em licitações e sobrepreço em contratos firmados pela prefeitura com a agência MM Quarter. Entre 2022 e março de 2026, o município repassou R$ 101,4 milhões à empresa, sendo R$ 77,8 milhões via São Paulo Turismo (SPTuris) e R$ 23,5 milhões pela Secretaria Municipal de Turismo (SMTUR).
As investigações apontam que o ex-secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, atuava como sócio oculto da agência. A relação foi confirmada após a descoberta de uma procuração que concedia a ele amplos poderes de gestão sobre a empresa. O TCM destacou que a prefeitura ignorou propostas mais baratas de concorrentes para beneficiar a MM Quarter, além de ter extrapolado limites de Atas de Registro de Preços (ARP) em contratos de fornecimento de água mineral, com aumentos de preços injustificados que geraram um impacto financeiro estimado em R$ 25 milhões.
“A auditoria identificou um aumento injustificado no preço cobrado pela caixa com 48 copos d'água, cujo valor praticamente dobrou em um intervalo de menos de um ano e meio, passando de R$ 29,99 para R$ 58,49.”
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou que não possui mais contratos vigentes com a agência e que a Controladoria Geral do Município (CGM) segue apurando possíveis irregularidades. A MM Quarter declarou, em nota, que suas contratações seguiram as exigências legais e que está colaborando com a fiscalização. O ex-secretário Rodolfo Marinho afirmou que prestará esclarecimentos ao TCM assim que for notificado formalmente, sustentando a regularidade de sua atuação na pasta.
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