No aniversário de São Paulo, conheça 5 curiosidades sobre a cidade preservadas pelo Centro de Memória Bunge

A cidade completará 466 anos no próximo dia 25 de janeiro.


Do cinema e industrialização à panificação e moda. O Centro de Memória Bunge (CMB), um dos mais ricos acervos de memória empresarial do Brasil, preserva documentos textuais, iconográficos, tridimensionais e audiovisuais que recontam a industrialização do país, e, especialmente, a história da capital paulista. São mais de 1,5 milhão de fotos, vídeos, documentos e peças preservadas pelo acervo que recontam não só a história da Bunge, que está há mais de 100 anos no Brasil, mas também grande parcela da história de importantes estabelecimentos da cidade, responsáveis pelo desenvolvimento da capital.


1) Cinema: produções ao ar livre e criação do Cine São Bento

A Bunge teve um papel essencial para a disseminação do cinema brasileiro. Ainda em seu início, as produções eram contempladas ao ar livre, com os chamados “cinemas de rua” e, em 1907, começaram a surgir as primeiras salas de exibição, localizadas em avenidas como a São João e a Celso Garcia, além de ruas como a Augusta, a Direita e a São Bento, na capital paulista.

Ao chegar no Brasil, a Bunge também passa a difundir a Sétima Arte para a população paulistana por meio do Cine São Bento, sala de exibição inaugurada em 1927 no centro de São Paulo. O CMB possui fotos e uma carta com detalhes da compra e da reforma do casarão, assinada por João Ugliengo, um dos nomes mais conhecidos da indústria paulista e responsável pela abertura do cinema. O Cine São Bento fechou as portas em 1950 e, daquele período, resta apenas a fachada, tombada como patrimônio cultural da cidade.

A esquerda, fachada do Cine São Bento, em 1927, e à direita,
carta assinada por João Ugliengo, responsável pela abertura do cinema
(Crédito: Arquivo do Centro de Memória Bunge)

2) Industrialização: capital paulista como polo administrativo de companhias e Barra Funda, na zona oeste, como “vila industrial”

A história do desenvolvimento de São Paulo se mistura com as decisões dos donos de grandes indústrias que, no século XX, chegaram à capital paulista e estabeleceram o centro da cidade como polo administrativo de seus negócios, iniciando o processo de urbanização dos bairros tradicionais como: Jaguaré, Belenzinho, Mooca além de Brooklin, Cambuci, Água Branca e Tatuapé, onde foram inauguradas as fábricas de tecidos, percussoras da indústria têxtil brasileira.

Na época, a Barra Funda passou a despertar interesse de muitas empresas, especialmente pela sua localização, no entroncamento ferroviário das estações da Estrada de Ferro Sorocabana, que ligava a capital ao interior, e São Paulo Railway, primeira ferrovia do Estado de São Paulo. A Moinho Santista, que produzia cereais, e a SANBRA, que fabricava óleo de algodão, estavam no grupo das primeiras indústrias que se instalaram na região. A industrialização absorveu trabalhadores imigrantes e nacionais e, até meados do século XX, a Barra Funda era conhecida pelas vilas industriais. Hoje, a região é mais residencial e está na mira do mercado imobiliário.

À esquerda, imagem aérea da Barra Funda na década de 1940,
e à direita, galpões da Fábrica de Óleo Água Branca
no desvio da Estrada de Ferro Sorocabana,
também nos anos 40.
 (Crédito: Arquivo do Centro de Memória Bunge)

3) Panificação: a história do famoso “pão francês”

Com a abertura dos portos e modernização das ferrovias, a sociedade paulistana do século XX, habituada a copiar costumes europeus, conheceu o pão trazido pelos portugueses. Na época, empreendimentos voltados para moagem de trigo, panificadoras e produtos voltados para esse segmento passaram a ser criados. Apesar da panificação no Brasil estar vinculada às tradições portuguesas, foi com os imigrantes italianos que chegaram a São Paulo que essa cultura se expandiu.

O Centro de Memória Bunge possui em seu acervo importantes registros históricos deste processo, com documentos e fotos sobre as primeiras padarias do país. Além disso, o local mantém e preserva um rico acervo de propagandas da época, como o anúncio de rua de 1920 da Farinha de Trigo São Leopoldo, em Belo Horizonte/MG.

Antiga Padaria na Unidade Industrial do Moinho Fluminense.
Foto: Acervo do Centro de Memória Bunge.

4) Educação: o caso do Grupo Escolar do Butantã

Quem passa pela Avenida Vital Brasil, no bairro do Butantã, onde hoje funciona a Escola Estadual Alberto Torres, não imagina que o local abrigou o famoso Grupo Escolar do Butantã, a primeira escola de ensino rural do estado de São Paulo. Fundada em 1932, a escola ficou internacionalmente conhecida por ser um projeto desenvolvido para conter o êxodo rural, um desafio trazido pelo momento econômico em que o Brasil passava: o auge da industrialização. A instalação de fábricas na cidade e a geração de empregos despertou interesse de milhares de famílias do campo e, naquela época, havia um movimento contra o discurso de atrair mão de obra rural para alavancar o crescimento econômico, defendido principalmente pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas. No acervo do CMB está um exemplar da Revista Nossa Terra, que circulou no Brasil na década de 1930, com detalhes do modelo pedagógico adotado pela instituição.

Imagens do exemplar da Revista Nossa Terra, da década de 1930,
com matéria especial sobre o Grupo Escolar do Butantã
(Crédito: Arquivo do Centro de Memória Bunge)

5) Moda: a legitimação do índico blue

Dois anos antes da posse de Juscelino Kubitschek, a São Paulo Alpargatas lançou “a calça que resiste a tudo”, denominada Far-West, feita com um tipo especial de tecido fabricado pela própria empresa, chamado “Brim Coringa”. Começava no país a era do jeans, de início usado principalmente no campo, onde moravam mais gente do que nas cidades. Por anos, a São Paulo Alpargatas se manteve como a única produtora do tecido índigo no Brasil.

Campanha publicitária com o personagem Hulk,
que buscava representar a legitimação do índigo blue.
Foto: Acervo Centro de Memória Bunge

Na década de 90 a Santista Têxtil, criada pela Bunge, e a Divisão têxtil da São Paulo Alpargatas reúnem suas unidades de brins e índigo e criam uma das maiores empresas de Denin do mundo, a Alpargatas-Santista Têxtil, que na década de 2000 passou a se chamar apenas Santista Têxtil S.A. Nos anos seguintes, o jeans continuou a ser item coringa no dia a dia urbano, variando seus modelos de acordo com as tendências da moda.


Matéria: CDN
   

Nenhum comentário